"Meu Deus, me dá cinco anos. Me cura de ser grande!" (Adélia Prado)

29 abril 2006

Filmografia

Trechos de filmes que falam por mim.
1. Sobre o prazer de ir ao cinema:
“A gente tem que sentar a uma distância certa da tela. Antes do filme, se fala baixinho. Eu adoro essa parte. A luz vai se apagando devagarzinho e o mundo lá fora também vai se apagando devagarzinho. Os olhos da gente vão se abrindo. Daqui a pouco a gente não vai nem mais lembrar que está aqui. A gente vai conhecer um monte de problemas que a gente não pode resolver. Só eles podem. A graça está em ver como e quando. Shhhh! Está começando!”
(Lisbela e o Prisioneiro)

2. Sobre a infância:
“Os meninos nunca deveriam dormir. Acordam um dia mais velhos. E quando vemos, eles cresceram.”
(Em busca da Terra do Nunca)

3. Sobre o amor:
“Sempre que me entristeço com o mundo penso nos portões de chegada dos aeroportos. Dizem que vivemos num mundo de ódio e ambição, mas eu não acho. Sinto que há amor em todo lugar. Nem sempre algo que valha alguma manchete, mas está sempre ali. Pais e filhos, mães e filhas, maridos e esposas, namorados e namoradas, amigos antigos... Se procurar, creio que descobrirá que o amor simplesmente está em toda parte.”
(Simplesmente amor)

4. Sobre a morte:
“Percebi que tudo é ambíguo. Até a morte. Mas eu vivo com medo. Verdade. Tenho medo dos segundos de consciência antes de você ter certeza de que vai morrer.”
(Antes do Amanhecer)

5. Sobre a vida:
“Este não é um relato de feitos heróicos. É um fragmento de um caminho percorrido (...) Já não sou mais o mesmo. Pelo menos não sou mais o mesmo por dentro.”
(Diários de Motocicleta)

A quem interessar possa

Moço goiano e trabalhador no início da terceira década de vida.
Olhos castanhos-tamarindo. Cabelos pretos com 17 fios brancos.
1,77 m de altura (com vontade de ter 1,80 m) e 74 kg distribuídos de forma quase homogênea.
Introvertido, caseiro e “cinemeiro’.
Em busca da “gozolândia” perdida.
Solteiro.

Dicas para aproveitar idas na locadora

1. Já faça uma listinha prévia de filmes que quer locar e nunca pergunte a algum atendente se determinado filme é bom ou ruim. Eles sempre vão dizer que o filme é o máximo mesmo não tendo assistido a fita.

2. Não fique procurando apenas por filmes inteligentes (mesmo que sejam norte-americanos). A idéia aqui não é crescer interiormente depois do filme de arte. Lembre-se que seu objetivo é sentir uma união com a maioria da raça humana. Vá logo para a seção de lançamentos e pegue filmes de astros famosos, filmes tão idiotas que você apagará da sua mente em menos de 24 horas.

3. Vá com um par. Vídeo-locadoras não são lugares para você andar sozinho. Todos andam em pares. Se não tiver namorada/o, peça para o seu irmão ou irmã ir contigo ou pague um indigente na rua para ir com você. Sempre vou sozinho e me sinto muito só. Além do mais, um dos grandes prazeres destes lugares é você convencer o/a outro/a levar o filme que VOCÊ quer.

4. Os dias ideais para ir à locadora são os do fim de semana, se estiver chovendo, aproveite. De que adiantaria você ir na terça de noite, com todos os filmes disponíveis? Ir a vídeo-locadora é tipo uma caça, uma disputa entre os outros sócios. Tem que ter uma adrenalina, uma esquema competitivo. Quando você vê que tem alguém lendo a sinopse em uma capinha, você fica escondido atrás da prateleira, de tocaia, e aproveita pra pular sobre o filme assim que ela se distrair.

5. Leve uma série de documentos - cartão de banco, de crédito, certificado de reservistas, certidão de nascimento, comprovante de renda e de residência, PIS... Há uma grande burocracia, pois as pessoas acham que você faz parte de uma gangue cujo objetivo é roubar filmes usados.

6. Participe de todo o tipo de promoção oferecida, do tipo pegue 20 vinte filmes para ver entre sábado e domingo e ganhe desconto de R$ 1,00 uma locação. Ignore certas pessoas que insistem em desmascarar essas promoções e nos provar que não vale a pena. Que gente estraga prazer! Nós sabemos que estamos sendo enganados, mas queremos ser enganados!

7. Atrase para devolver. Num tempo de crise, salários pingados, em algum momento da vida você tem que sentir esbanjando dinheiro. Deixe os filmes em cima da televisão e não devolva, porque não deu tempo de ver.

8. Se os filmes são entregues num saco plástico... na hora de devolver, fique com o saco para você. Você sentira uma vitória pensando que passou a perna nos donos de cadeias multimilionárias de filmes ficando com o saco plástico, que usará no lixinho da cozinha!

17 abril 2006

De olhos castanhos

Hoje redescobri a cor dos meus olhos.
Sim! Depois destes anos todos, só hoje me dei conta que já não são mais pretos-jabuticaba e sim castanhos-tamarindo. Será que à medida que envelhecemos, a cor dos olhos vai clareando? Só pode ser assim porque fui olhar na minha certidão de nascimento e estava lá registrado com todas as letras: olhos pretos. De outra forma, eu, o cara das imagens, já teria notado isso há mais tempo.
Esta descoberta, no entanto, me fez pensar nas nuances escondidas por trás desta cor e o que ela, aos poucos, vai re(velando) a meu respeito.
A cor castanha perpassa a opacidade do preto para se manter translúcida na luz.
De outra forma, castanho é também fruto da mistura dos tons terrosos (marrons) com os tons solares (amarelos). É, então, ao mesmo tempo, cor que queima e cor que afaga. Castanho é cor de outono, de tempo seco feito mês de agosto que guarda no seio a seiva da primavera que está preste a explodir em setembro.
A dualidade presente nesta cor me faz um cara sereno e ardente. E nessa ardência serena eu me refugio querendo de vez em quando me entregar.
Quero que a proporção do amarelo vá aumentando à medida que o tempo passe. E assim, de castanhos-tamarindo, com azedume ainda evidente, meus olhos se transformem em castanhos-mel, de doçura ardente e aparente.

14 abril 2006

Lista de Presentes

Faltam 15 dias para o meu aniversário (17 de junho, anotem aí). Então resolvi já disponibilizar minha lista de presentes para que todos/as tenham tempo de sobra pra comprar. É claro que, sendo o cara gente boa que sou, também fiz questão de listar itens com preços variados (pra ninguém ficar de fora ou se sentir excluído/a). E não precisa ficar acanhado/a se, num rompante de generosidade, você decidir antecipar a data. Não sou nem um pouco preconceituoso. Estou aceitando tudo desde já!

- Cd “Universo ao meu Redor” da Marisa Monte (já viu que encarte perfeito?)
- Exemplar da revista Trip do mês de junho (o tema da revista será equilíbrio entre espírito, mente e alma. Tô precisando!)
- Uma festa de aniversário com docinho de leite ninho! (que você pode ter o prazer de organizar)
- Bloco de papel para cartas (daqueles tipo papel de seda)
- Livros antigos com páginas amareladas (pode vasculhar que todo mundo tem um)
- Box com a primeira temporada de LOST (valho o investimento, não valho?)
- Um kit de supérfluos perecíveis (batata frita, skyny, refrigerante, fandango, corneto etc)
- Dvd do filme “O Jardineiro Fiel” (pode deixar que depois eu empresto pra todo mundo assistir)
- Camiseta com emblema de super-herói tamanho “M” (menos do Batman porque já tenho – lá na Hocus Pocus tem pra vender)
- Envelopes para cartas (daqueles com listas verdes e amarelas nas bordas)
- Livro infantil (qualquer um com ilustrações do Roger Mello, da Graça Lima ou da Marilda Castanha)
- Um ingresso de cinema (dou o direito de escolher o filme)
- Qualquer livro sobre Paul Klee (com figura, é claro)
- Jogo “Academia” da GROW (conhecido também como jogo do dicionário)
- Camiseta colorida tamanho "M" sem nada desenhado (pra eu mesmo customizar)
- Filme fotográfico (asa 400, por favor)
- Cartão para celular da Brasil Telecom (eu nunca tenho)
- Livro com poesias da Adélia Prado (ainda não tenho nenhum)
- Um Pólo ou um Kouros (para aqueles/as que queiram me dar perfume)
- Caixa de cds virgens (todos pra gravar músicas)
- Salada lá do Mr. Salada (daquelas que a gente escolhe todos os itens)
- Tênis All Star nº 39 (o meu já está bem gasto)
- Uma caneca daquelas bem divertidas (nas Lojas Americanas tem aos montes)

- Dvd's dos clássicos Disney que faltam na minha coleção: "A Dama e o Vagabundo", "O Cão e a Raposa", "O Ratinho Detetive", "Oliver e seus companheiros", "Toy Story 1 e 2", "Você já foi à Bahia?", "Fantasia" e "Nem que a vaca tussa" (não precisa ser todos, pode escolher um só que já vou ficar feliz!)
- Um cinto bem transado (não vale aqueles clássicos e cafonas)
- Dvd do filme “Lavoura Arcaica” (fantástico!)
- Uma passagem para Caldas Novas (acredita que não conheço a cidade ainda?)
- O livro “Mitologia dos Orixás” ou “Oxumaré, o arco-íris” de Reginaldo Prandi (só as ilustrações são um show!)
- Barra de chocolate "Amaro" da Lacta (hummmmm, deu água na boca!)
- Gibis velhos e/ou antigos (não é bom ler histórias antigas?)
- Livro de Viagens do Zeca Camargo (daquela série do Fantástico)
- Um mouse decente (porque o meu vive com problemas)
- Um cartão super personalizado e feito à mão (com aquela mensagem que faz o coração da gente ficar mais bonito)

Suíte nº 1

Sempre que ouço o prelúdio da Suíte nº 1 de Bach sinto algo no meu mundo interior mudar. A peça barroca, que faz parte de um conjunto de 6 suítes para violoncelo compostas em 1720 não pode solicitar nenhuma outra coisa de quem a ouve, a não ser a mais absoluta entrega. Trata-se, a meu ver (quem me vê falando assim até pensa que entendo de música...) de uma melodia profundamente emocional que inspira uma expressão altamente pessoal. Talvez por isso gosto de ouvi-la à noite, em minhas madrugadas de insônia quando a cidade se esconde sob o véu do silêncio. É como se numa sutil hipnose, os movimentos sonoros e contínuos fossem me conduzindo a um estado de harmonia perfeita.
Nela, minha alma repousa tranqüila e serena. É nela que quero ficar pra sempre.

13 abril 2006

Beijo Beso Bisou Bacio Kiss Kuß Poljub

BEIJO é a palavra da língua portuguesa que mais gosto. Não apenas pelo seu significado, mas principalmente pela sonoridade gostosa aos ouvidos. Tente repetir a palavra e observe a graciosidade do movimento labial e o som que sai parecido ao frio que dá na barriga quando a gente, de carro, sobe e desce bem rápido uma ladeira.
BEIJO em português é palavra de contornos suaves e ondulantes, bem diferente da sua versão inglesa que soa como um troço pontudo e cortante (kiss) ou da versão italiana que lembra o barulho de um chicote na madeira (bacio).
Já pensou na palavra da nossa língua que você mais gosta?
Se sim, manda pra mim!

Fiquei curioso.

Mapa Astral Virtual

Um site que faz seu mapa astral bastando apenas que você saiba a hora do seu nascimento. Coisas das novas tecnologias. Jaciara, minha amiga-bruxa me indicou. Fiz meio incrédulo e não é que deu certo! Diversão de primeira pra quem vive tentando se conhecer ou dar boas risadas. Acessem http://somostodosum.ig.com.br/mapa/

Wolney Fernandes de Oliveira
O Eu interior
Gêmeos é um signo de ar, mutável, positivo, estéril, loquaz e volátil. É regido pelo planeta mercúrio, que simboliza o intelecto, a razão. Identifica-se com a dualidade e tem uma grande habilidade para o trabalho intelectual e os meios de comunicação. Por serem curiosos, e terem tendência à superficialidade, cansam-se facilmente de um assunto e passam para outro assim que dominam o primeiro. Sua mente é engenhosa e hábil, com facilidade de compreensão e assimilação. Têm facilidade de se adaptar à mudanças. Os nativos de gêmeos possuem também habilidade manual, que pode torná-los hábeis (mágicos ou ladrões)!

Gêmeos e o amor
O geminiano é rápido para se apaixonar, e em um relacionamento diz tudo o que pensa. Não sendo muito paciente pode não dar tempo ao parceiro de reagir ou não escutá-lo com suficiente atenção. Ele costuma colocar palavras na boca dos outros. Outro ponto importante é o relacionamento intelectual com o/a parceiro/a, já que ele precisa de um estímulo constante de interesse.

Gêmeos e a casa
Nada é permanente no espaço onde vive o geminiano, a não ser as constantes mudanças. Os móveis, por exemplo, nunca permanecem por muito tempo no mesmo lugar. Por ter medo de se entediar precisam também de um lugar para seus livros e revistas, com os quais se alimentam diariamente.

Ascendente em escorpião
Você parece estar sempre perscrutando o interior para enxergar através e analisar o conteúdo. A passionalidade inerente ao signo também pode ser muito evidente em sua maneira de agir, levando você a procurar satisfazer seus prazeres de forma intensa e profunda. Uma tendência a se envolver de forma exagerada nos relacionamentos amorosos pode se tornar perigosa se mal canalizada. Pouco falante e muito observador você analisa muito, mas não gosta de ser analisado.

Lua em touro
Esta lua lhe confere amabilidade, determinação e perseverança. Tem atração pela arte de maneira geral e pode gostar de objetos de artesanato.Você dá muito valor ao que possui. Por outro lado se a Lua estiver com aspectos negativos, ela pode indicar uma excessiva atração pelos prazeres materiais. Além disso, pode existir um excesso de preguiça, uma sensualidade mórbida e um apego exagerado pelas coisas materiais.

12 abril 2006

Eterno Aprendiz

Já escrevi aqui sobre minha relação meio conturbada com o tempo. Esse “senhor” todo poderoso que, diferente de uma passadeira nos pega pelo avesso e vai amarrotando aos pouquinhos enquanto passa. Devo confessar que é bem difícil, às vezes, sentir as marcas surgindo diante dos meus olhos incrédulos só pra confrontar minha necessidade natural de ver pra crer. No princípio não havia um fio sequer de cabelo branco. Hoje já são mais de 15!
Meus temores diante do tempo me deixam saudosista de um tempo que não volta mais, mas é onde minha cabeça insiste em permanecer. Temo não saber acompanhar esses dois ritmos e chegar aos 60 anos com cabeça de menino de 20. Legal mesmo, penso eu, é ir levando as duas dimensões juntinhas pra curtir cada fase da vida de forma única.
De fato, eu queria era envelhecer com a saliva e o paladar presentes na boca. Envelhecer como o bem que se almejou, enxergando-se à frente do nariz com uma clareza nunca vista antes.
Por hora, tudo é utopia, mas tenho fé que essa paciência divina, que sustenta meu espírito e faz de mim esse menino travesso, sapeca e feliz me dê a doce sensação de ser, para sempre, um eterno aprendiz.

Quem me ajuda a sonhar assim é o Silvio, amigo de distância, poeta ditoso e arquiteto que constrói poemas tão bonitos que depois de lê-los a gente começa a enxergar a vida de um jeito todo gostoso. Foi assim quando li “Tudo bem” o poema que reproduzo abaixo. Pra quem quiser se deliciar com outros textos poéticos, o moço tem um blog apetitoso chamado “Fogo de gelatina em pó”. http://www.silviovinhal.blogspot.com

Tudo Bem
Poema de Sílvio Vinhal


Minha tez no espelho
Não tão clara,
Não tão macia,
Não tão lisa.

Aquele menino continua lá,
Encapsulado,
Olhando através dos meus olhos
E segurando as grades
Da minha vida adulta.

Tudo está bem,
Embora as cores se encantem
Com os matizes gris e prata.
E tudo vá ficando (um pouquinho apenas)
Mais pálido.

Silvio Vinhal diz:
- Hoje sei que existe vida eterna, porque os olhos, mesmo num corpo gasto, revelam que a alma não envelheceu.

História de Semana Santa

Semana Santa lá em Lagolândia tinha cheiro de assombração. Se alguém jogasse baliza ou fizesse qualquer brincadeira que envolvesse “ganhador” e “perdedor” aparecia o “bode preto” lá da Cava e o “boi branco” lá do cemitério. A meninada não podia nem falar mais alto que minha vó ralhava com todo mundo dizendo que os bichos estavam soltos e que podiam escutar nossos risos e virem assombrar a gente de madrugada.
De quinta pra sexta tinha a missa que valia pra quaresma inteira, inclusive pra páscoa, já que o padre só aparecia por lá uma vez no mês. Era quando me vestia de discípulo com túnica de cetim toda brilhante e ia com mais onze amiguinhos ver o Pe. Jesus lavar e beijar os pés cheirando a chulé da turma toda.
Na sexta-feira não se podia varrer casa, nem pentear cabelo e muito menos se olhar no espelho (ainda bem né?). E se alguém quisesse aprender a fazer qualquer coisa com as mãos, tipo tocar violão ou desenhar, era só ter coragem de à meia-noite, ir sozinho até a Igreja e enfiar as mãos por baixo da porta por 5 minutos. Que medo!
Minha mãe, que passava a quaresma inteira prometendo “tirar a aleluia”* da gente no sábado, nem se lembrava disso porque era sempre dia ensolarado de festa, onde podíamos fazer tudo que tinha sido proibido nos 40 dias anteriores. Nossa maior alegria era abrir o baú de brinquedos e de lá retirar todos os jogos que estavam engenhosamente escondidos (bola, dominó, baralho, pega-varetas...) e passar o dia todo matando a saudade das disputas acirradas do jogo de béte no meio da rua... de poder gargalhar com vontade quando a bola era rebatida pra bem longe e a gente, batendo um bastão no outro contava bem rápido: um, dois, tre, ca, ti, no, dé...catinodé, catinodé...

(*) Pra quem não sabe, o termo “tirar a aleluia” era usado pra se referir à surra por qualquer traquinagem que se fazia durante a quaresma. Neste tempo, os pais e as mães não podiam bater nos filhos senão nasciam pêlos nas mãos.