"Meu Deus, me dá cinco anos. Me cura de ser grande!" (Adélia Prado)

30 março 2006

Lista de irritações

Eu sei, estou há vários dias sem escrever. Estava irritado. Difícil me imaginar assim. Mas acontece. Paradoxalmente, para me acalmar numa destas crises de irritação, resolvi fazer uma lista de coisas que me irritam. No momento da raiva consegui elencar cerca de trinta situações que me tiram do sério. Agora, enquanto escrevo, só me lembro de treze. Confiram:

1. Abrir embalagem de cd ou sachê de maionese sem usar nenhum tipo de instrumento pontiagudo;
2. Esquecer qualquer coisa em casa e só lembrar quando o elevador chega no subsolo;
3. Subir 10 andares para buscar o objeto que esqueci e, ao descer novamente, ver o ônibus que ia pegar passar por mim no exato momento em que coloco o pé na calçada;
4. Acordar às 7 da manhã no domingo sabendo que poderia ficar na cama até às 10;
5. Tentar navegar pelo orkut e sempre me deparar com aquela mensagem chata: “Bad, bad Server, no donut for you”;
6. Entrar na sala de cinema e o filme marcado para as 19:10 só começar a rodar às 19:15;
7. Olhar o cardápio, escolher um item e descobrir que o “bendito” item está em falta.
8. Receber mensagem de auto-ajuda (em power-point) via e-mail;
9. Abrir uma destas mensagens (coisa muito rara de acontecer) e descobrir que é uma corrente daquelas bem chatas que pedem para você enviar a mesma mensagem para não sei quantas pessoas. Argh!
10. Entrar numa loja e descobrir que o objeto que você paquerou ontem já está em falta hoje.
11. Cumprimentar alguém que não vejo há tempos e, antes dela me perguntar se estou bem, ouvir a seguinte pérola: "E aí? Já casou?"
12. Falar com empolgação sobre um assunto qualquer com uma pessoa e ela no meio da minha empolgação dizer: "Menos, Wolney, menos".
13. Tentar lembrar algo que prometi pra mim mesmo não esquecer.

E a lista continua...
Mas minha memória faz questão de falhar justamente agora que mais preciso dela.
Putz! Que droga!
Estou irritado de novo!

Na fila

A imagem era delirante: um mar de pessoas, todas organizadas de forma caoticamente controlada, esperando por atendimento. E foi nessa hora que iniciei um exercício que provavelmente irritaria Buda: peguei uma senha e sentei (com sorte, porque o número de assentos é sempre menor do que o número de almas suplicando por atendimento). Mas com agilidade consegui chegar à cadeira antes da pessoa que acabara de passar por mim na entrada (às favas com o cavalheirismo).
Meu número é o 52 e percebi que o placar eletrônico chamou o 30. Nada mau.
E aí, de frente para os guichês, a diversão de fato começa. São cinco, e apenas dois estão funcionando. Os outros três, solenemente vazios e eu já começo a balançar a perna impacientemente.
Mas nem tudo estava perdido. Logo percebi que uma terceira funcionária tinha voltado. “Agora a fila vai andar” – pensei bem “alegrinho”. A funcionária chegou, cumprimentou muito amigavelmente seus colegas e mostrou que é, afinal, capaz de sorrir.
Para os colegas (que fique bem claro!).
Andou até o seu guichê e quando imaginei que ela ia chamar o próximo da fila percebi que ela, na verdade, ia fazer algo muito mais fundamental: verificar se havia grampos no grampeador. Com a agilidade de movimentos de um homem na lua, abriu o grampeador e constatou que havia grampos. Mas não em número suficiente. Então ela foi até os outros guichês. Enquanto isso, eu já balançava não apenas uma, mas as duas pernas. Ela, então, achou os grampos e voltou ao seu lugar.
Finalmente chamou uma próxima alma, que se arrastou até o guichê, posição de humilhação, porque, a essa altura eu já está disposto a beijar qualquer pé pela cópia do documento que eu precisava. Depois de quase uma hora e meia, meu número foi chamado. Com um suspiro de alívio, de um salto só me posicionei na frente do guichê de atendimento. O homem não sorriu e pareceu não ter expressão ao verificar meus documentos.
- Onde está o comprovante de votação na última eleição?
- Está aí - eu disse sorrindo, parecendo ser simpático, já prestes a gaguejar.
- Você não votou no plebiscito do desarmamento?
"Merda. Então era essa a última eleição!" - pensei.
- Votei, votei.
- Então onde está o comprovante? Sem comprovante não podemos fazer nada.
Sem fala e sem ter a mais remota idéia de onde poderia ter colocado aquele “maldito” papel de medidas microscópicas pude fazer uma constatação importante: o homem sorriu. Foi um riso contido, de canto de boca, mas um sorriso.
- Próximo!
Querendo chorar, eu atravessei a rua repetindo silenciosamente todas as situações que me irritam e que eu consegui listar enquanto esperava na fila. Antes de chegar no ponto, pude ver meu ônibus passar por mim. Foi nesta hora que perdi a fé na humanidade.

29 março 2006

No silêncio do que não foi dito

Sempre soube, em teoria, que a força da palavra escrita é superior à palavra falada. Agora posso comprovar, na prática essa premissa. Esta história de escrever um blog tem me proporcionado boas surpresas. Uma delas é o fato de receber textos de amigos/as que colocam no papel as impressões e sentimentos em relação a mim. Sabe aquelas coisas que a gente só consegue dizer escrevendo? Pois é, foi assim com o texto do Wellington, do Fernando, da Sabrina e agora com este da Jaciara que apresento aqui em sua forma original.

No silêncio do que nunca foi dito


"Há dias me vejo às voltas pensando em fazer um texto para você. Sempre lhe disse que faria um, no dia do seu aniversário ou quando "euzinha" tivesse um blog. Mas hoje eu pensei que vai demorar muito para eu ter um blog e também para o seu aniversário.
Então, levando tudo isso em consideração, resolvi fazer o seu texto 'à mão' mesmo.
Bom, e para começar, até hoje me pergunto como a gente foi se tornando amigos, só me lembro que da minha parte, mais íntimos ficamos no dia em que fizemos nossas confissões sobre o filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". Sei que daquele dia em diante nós passamos a compartilhar um assunto que para mim é muito caro.
Sei que temos uma porção de amigos em comum, mas quando estamos juntos sinto que nossa sintonia é tão fina que chegamos a despertar inveja naqueles/as que nos cercam e tentam desvendar que afinidade é essa.
Da minha parte, posso dizer que nossa afinidade está no silêncio do que não foi dito, nas músicas que trocamos, nos filmes e séries que vimos e nas palavras que ainda estão por vir.
E quando digo que estão por vir é que hoje eu tenho 30 anos e fico pensando na falta que você me fez nestes 28 anos em que eu ainda não te conhecia e não podia rir e chorar de muitos assunto caros para mim.
Espero que a gente possa conviver ainda por muitos e muitos anos...
De sua amiga,
Jaciara"

12 março 2006

A Casa do Senhor

Hoje eu descobri onde Deus mora dentro de mim.
Dei uma passada por lá e vi que estava tudo imundo.
Nem um cantinho decente.
E Ele deve dormir em um destes cantos de um jeito desconfortável.
Deu dó.
De que adianta ser Deus se a sua casa fica dentro de um coração esquecido?

10 março 2006

Subject: saudade

----- Original Message -----
From: "sabrina oliveira" <
sabi-ol@hotmail.com>
To: <
wfo@terra.com.br>
Sent: Tuesday, March 07, 2006 2:02 PM
Subject: saudade

>saudade> saudade de você> do seu jeito de menino> do seu olhar sem amor> do seu sorriso amigo> do seu beijo sem ardor> saudade de você> de sua pressa constante> de sua ira repentina> da sua fossa coberta> da sua magia dominante> saudade de você> de sua indiferença> do seu individualismo> da sua presença incostante> do seu realismo> da sua hora marcada> dos seus sonhos brilhantes> saudades de você> do seu abraço apertado> do seu corpo contra o meu> de um momento só nosso> do menino escondido atraz do escudo> de tudo que é você...> > > saudade

sabrina>
abraço forte