"Meu Deus, me dá cinco anos. Me cura de ser grande!" (Adélia Prado)

26 fevereiro 2006

Minhas mentiras

Sim, a cada dia surge uma nova coleção de mentiras. As piores são aquelas que conto pra mim mesmo antes de dormir. Cochicho no escuro, dizendo que posso ser feliz assim. Que posso mudar isso e aquilo e tento me convencer que posso viver com meus pecados. Não é uma insônia. É algo que merece bem mais que um texto para ser explicado. Coisas das quais eu nunca estou disposto a falar.
Um erro da minha alma? Pode ser, mas prefiro chamar de inquietação.
Primeiro achei que escrever pudesse ser um acalanto para essa inquietação. Além de sossegar o espírito, colocar no papel os conflitos pessoais, poderia me ajudar a lidar com os meus “caranguejos internos”. Grande decepção! Decididamente meu cacoete é a autodestruição pela resignação.
Por que? Porque não consigo expressar o que sinto de verdade. Sou um fraco. Estou cansado de transpirar positivismo e perseverança enquando corre em minhas veias a tristeza, o medo, a raiva... E isso não pode ser bom. Não em momentos como esse.
Meus pensamentos andam muito rebeldes e avançados para o ritmo e condição quase convencional que venho tentando sustentar. Tentando é ótimo e péssimo. Mas é assim mesmo que me sinto: pensando e escrevendo coisas que jamais faria, dizendo coisas que jamais diria. Ando incontrolável! Mas em uma proporção decepcionante: penso, escrevo e falo ‘de montão’, faço e aconteço ‘de montinho’. É uma ansiedade tão angustiante que mal tenho conseguido dormir... Preciso encontrar o meu equilíbrio, apesar de estar gostando um pouco dessa fase “out of track”.
Enquanto isso, continuo aqui com minhas mentiras. Sim, todas as noites, antes de cair no sono, minto pra mim mesmo, na esperança louca de que, quando amanhecer, seja tudo verdade.

2 Comments:

Anonymous naira said...

"pensando e escrevendo coisas que jamais faria, dizendo coisas que jamais diria."

Wolney, você não está sozinho nessa. No seu texto inteirinho, você não está só.

(Morro de saudade de ter um Blog. Garanto que é bom! Muito bom mesmo!)

segunda-feira, 27 fevereiro, 2006

 
Anonymous gardene said...

Gostei do texto, Wolney. Confesso que me sinto assim várias vezes, aparentemente tá tudo normal, tudo bem, mas aquela sementinha está lá, dentro de mim, querendo crescer. Só basta eu descobrir para qual rumo. bjos

sexta-feira, 10 março, 2006

 

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